domingo, 20 de agosto de 2023

LICEU OPERÁRIO BIQUENSE - A Escola Primária Quatro de Novembro - LICEU.


Histórico registro fotográfico da Escola Primária Quatro de Novembro – o LICEU. 


A Escola Primária Quatro de Novembro sob o olhar do artista biquense Antônio Alves, uma das belíssimas pinturas que ornamentam as paredes do Museu de Bicas.


Neste belo registro vemos as Professoras Odete Pinho, Tereza Amorim, Dna. Tueta e Helaine Godinho no portão de entrada da Escola.




Acima e abaixo, alunos em sala de aula com a Professora Marisa no início dos "anos 70". Eu também estava nessa turma, ali na segunda fila. Fotos de Maria de Lourdes Campos - a Lurdinha; e Sergio Murilo Pires Rodrigues - o Serginho; ambos também nas fotos.



Alunos e alunas do LICEU ladeados com a Professora Wilma Pires no campo de futebol ao lado da Escola - década de 1960.


Em mais uma viagem pelos 100 anos de Bicas trazemos hoje mais uma belíssima página de nossa história: o LICEU; a Escola Primária Quatro de Novembro.

Convido a todos para uma viagem em fotos de uma das mais tradicionais Escolas de nossa cidade que nasceu da ferrovia, criada para atender aos filhos e filhas dos ferroviários biquenses.

Desde os tempos da Leopoldina Railway e da criação das Oficinas de Bicas, sempre houve uma grande preocupação da direção da empresa em qualificar seus futuros operários, seja na criação de uma Escola Primária altamente qualificada, como na criação de uma Escola de Formação Profissional – o SENAI – que também se destacou pela excelência na formação de grandes profissionais ferroviários.

E graças mais uma vez à contribuição dos amigos da página, trazemos fotos realmente históricas da Escola que nasceu “Liceu Operário Biquense” para posteriormente se chamar “Escola Primária Quatro de Novembro”, mas nunca deixou de ser carinhosamente chamada de LICEU.

Também estudei ali, entre 1969 e 1972. Uma escola com uma metodologia de ensino tão elevada e rigorosa que quando me mudei para o Rio de Janeiro em 1973 tornei-me sempre um dos melhores alunos nas escolas públicas por onde passei naquela cidade. O aprendizado no LICEU também foi fundamental para minha aprovação no Centro de Formação Profissional do Engenho de Dentro - SENAI-RJ - em 1976.

Lembro-me do intervalo das aulas, do esperado momento do "anúncio da merenda do dia" feito pelo Sr. Chiquinho - Francisco Silvestre Machado, do Sr. Valentin Machado na organização de tudo, enfim... bons tempos...

Excelentes profissionais do ensino biquense passaram pelas salas de aula do LICEU, como a eterna Professora Maria Antonieta Silva Carvalho - a Dona Tueta, Wilma Pires, Helaine Godinho, Odete Pinho, Tereza Amorim, Marly Renaut, Dorinha e Gracinha Cúgola, Ana Marta Borges Ribeiro, Libania Penchel, Maria Helena Horaci, Ana Lúcia Lobão Fam, Margarida, Vanda Durão, Walter Lhamas Ferreira, enfim, grandes profissionais do ensino que muito contribuíram para tornar o LICEU de Bicas uma das mais renomadas e respeitadas Escolas da região.

Ao nos aproximarmos das comemorações pelo Centenário de Bicas, trago então esta singela homenagem apresentando registros em que realizei trabalho de “restauração fotográfica” e fazem parte de nosso acervo, graças à colaboração de muitos amigos e amigas que também tiveram a honra e a alegria de estudar no LICEU por alguns anos de suas infâncias.



Neste registro do acervo de Nem Cunha podemos ver uma parte do prédio do LICEU e uma parte do prédio do SENAI, que ficavam praticamente juntos.


Na bela contribuição de Valéria Prata, a turma da 4ª série do LICEU no ano de 1968 com as Professoras Dona Tueta e Dona Wilma.


Em mais uma valiosa contribuição de Marly Renault, Professores e alunos reunidos para uma bela fotografia. Minha irmã Marly Mayrink também está ali, pertinho da Dna. Tueta. 


Duas valiosa contribuições, desta vez de Sergio Luiz Ferreira e Helaine Godinho, belíssimos registros de desfile cívico dos alunos do LICEU.



Na bela contribuição de Mariazinha Cúgola; as Professoras Dona Tueta, Helaine Godinho e Wilma Pires.


Os alunos do LICEU participando da campanha do plantio de mudas pelas ruas da cidade, acompanhados pelas Professoras Dona Tueta e Wilma Pires, nesta bela contribuição de Jussara Lamha Braz.


Abaixo, dois belos registros de uma confraternização dos Professores e demais funcionários do LICEU e do SENAI.


“Dona Cândida”, diríamos hoje, a monitora da Escola.



A equipe de Professores do LICEU postada pela própria “Dona Tueta” (in memoriam) em sua página no facebook.



Uma bela contribuição do casal de amigos o saudoso Paulo Nunes (in memoriam) e Edith Dias de Oliveira Nunes, a foto histórica do Convite de Formatura dos Formandos do ano de 1949 no “Liceu Operário de Bicas”.



quarta-feira, 16 de agosto de 2023

A SAPOLÂNDIA - Um dos mais tradicionais Blocos Carnavalescos de Bicas.

Acima, belíssimo registro da Sapolândia no Carnaval de 1962, concentrados em frente ao antigo prédio da Prefeitura de Bicas.


No ano do “Centenário de Emancipação de Bicas” trazemos mais uma bela página de nossa história.

Relembrando os antigos carnavais biquenses, vamos viajar nos registros fotográficos de um dos mais tradicionais Blocos Carnavalescos: A SAPOLÂNDIA!!!

Era sempre um dos mais aguardados blocos do Carnaval de Bicas, se destacando pela animação, pelo grande número de participantes e principalmente pela criatividade.

É só conferir nas fotos abaixo e curtir as lembranças dos grandes carnavais biquenses com a SAPOLÂNDIA!!!


Na sequência abaixo, registros da Sapolândia nos Carnavais dos anos 60 e 70.


Na sequência abaixo, registros da Sapolândia nos Carnavais dos anos 70 e 80.



Na sequência abaixo, registros da Sapolândia no Carnaval de anos 2002.



domingo, 23 de julho de 2023

MARCO INAUGURAL DE NOSSA PRINCIPAL RODOVIA - Um belo Monumento Histórico em perfeitas condições de restauração.

 


Acima, o antigo "Marco Inaugural" em belíssimo registro cedido por Pedro Moreto, onde realizei restauração fotográfica.


Vivendo o importante momento da celebração do “Centenário de Emancipação de Bicas” onde o tema “Preservação do Patrimônio Histórico” naturalmente tem grande ênfase, trago como sugestão à Administração Municipal, uma atenção especial ao antigo monumento que marcou a inauguração da antiga MG-116, hoje BR-267, abandonado próximo à garagem da Viação Santos, um espaço que já foi ponto de encontro e de lazer para muitos biquenses, como demonstram as fotos antigas apresentadas.

Isso mesmo! Nossa principal rodovia nasceu como MG-116! Uma rodovia estadual!

Minha proposta é que se desenvolva um projeto de reforma e resgate do monumento existente próximo a onde hoje se situa a garagem da Viação Santos. Trata-se do "Marco Inaugural da MG-116” (hoje BR-267), que ainda está em boas condições de recuperação - apesar do claro estado de abandono - merecendo uma bela reforma e podendo fazer parte do complexo “Portal Oficial de Entrada da Cidade”.

Para contribuir com esta sugestão de reforma e preservação de nosso Patrimônio Histórico, segue anexo, fotos cedidas pelos amigos Pedro Moreto, Soraia Lagrota, Antônio Carlos Silva e Paulo Roberto Silva Carvalho, onde se vê inclusive a placa de grande valor histórico - que pode ser facilmente refeita - com os seguintes dizeres:

 

RODOVIA MG 116

Pavimentação asfáltica do trecho JUIZ DE FORA – BICAS

Obra do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais

Sendo Diretor Geral o Eng.° Eliseu Resende

Governador do Estado o Exmo. Sr. Dr. José de Magalhães Pinto

Inaugurada em 26 de agosto de 1965

 

Seria sem dúvida o resgate de um grande marco histórico no Centenário de Bicas, numa obra que acredito ser facilmente executável.


Acima e abaixo, mais dois belíssimos registros cedidos por Pedro Moreto, onde realizei restauração fotográfica.






Acima e abaixo, outros dois belíssimos registros cedidos por Soraia Lagrota, onde realizei restauração fotográfica.




Acima e abaixo, mais dois belíssimos registros cedidos por Antônio Carlos Silva, onde realizei restauração fotográfica.




Acima, outro belo registro cedido por Paulo Roberto Silva Carvalho, onde realizei restauração fotográfica.





sábado, 27 de maio de 2023

FAMÍLIA DAVID - SALOMÃO DAVID, VIÚVA SALOMÃO & FILHOS. SEM DÚVIDA UMA BELÍSSIMA HISTÓRIA.


VIÚVA SALOMÃO & FILHOS

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Enunciado das notas fiscais do “Armazem de Secos e Molhados Viúva Salomão & Filhos”.


Ao nos aproximarmos do Centenário do Município de Bicas e imaginando já conhecer grande parte de nossa história, eis que surge o amigo Jairo Ramos destacando novas páginas da belíssima história de nossa cidade: a histórica “saga” do Libanês Salomão David.

Este belo trabalho de pesquisa sobre a destacada família de empreendedores biquenses teve início com o biquense Marco Antônio Garcia, sendo posteriormente enriquecida com mais alguns detalhes por Fernando Amaral Ventura Júnior.


* UMA VIAGEM NO TEMPO:

Para compreendermos melhor esta riquíssima história, vamos nos reportar à década de 1890, quando muitos imigrantes começaram a chegar ao Brasil na esperança de realizar seus sonhos de prosperidade, fato que perdurou até a década de 1920.

Eis que, vindos do Líbano em 1919, chega ao Brasil a Família David, vindo direto para Bicas, um lugarejo na Zona da Mata mineira onde a agitação e o entusiasmo com a recém-chegada Ferrovia pairava ares de progresso e pujança, trazendo grandes expectativas e esperanças de um futuro melhor. 

Justamente por isso, era fundamental também que procurassem se instalar o mais próximo da Estação Ferroviária. Ao redor daquela Estação era depositada toda a confiança e esperança dos novos moradores e empreendedores.

E foi neste clima que chegaram o patriarca libanês Salomão David e sua esposa grega Marianthe Popadopoulos. Também vieram para Bicas posteriormente, Persephone e sua filha Despna, que chegaram em 1922, vindas diretamente da Grécia da cidade Sokia, cidade que caiu nas mãos Otomanas exatamente junto de Esmirna, na Ásia Menor.


* A FAMÍLIA:

Salomão David e Mariante Popadopoulos tiveram sete filhos homens: Eduardo David, que assumiu a firma por ocasião da morte do pai; Daudt David, Michel David, Alberto David, Antônio David, Ângelo David e Jorge David.

Na foto acima, a família de imigrantes, onde vemos o casal com seus filhos: Eduardo David, filho mais velho, que assumiu a firma por ocasião da morte do pai; Daudt David e Michel David; Jorge David - pai de D’Anestis David - que está com uma bola na mão; no colo está o filho Ângelo David. Marianthe teve ao todo sete filhos homens, faltando nesta foto os filhos Alberto e Antônio.


* EMPREENDIMENTOS.


FIRMA VIÚVA SALOMÃO & FILHOS:


Acima, belo registro da Firma Viúva Salomão & Filhos, vendo-se ao fundo o belíssimo prédio de dois andares onde morou Eduardo Salomão David. Abaixo, o mesmo local nos dias de hoje.



Tradicionalmente ligados ao comércio, iniciaram suas atividades criando aquela que viria a ser a sede e principal ponto de referência comercial da família, a Firma Viúva Salomão & Filhos, belo prédio comercial com uma grande variedade de mercadorias e produtos, que existia em frente à Estação Ferroviária de Bicas, no local onde hoje está situado o Supermercado Santo Antônio.













Acima, mais um belo registro da Firma Viúva Salomão & Filhos. Abaixo, o mesmo local nos dias de hoje.



INDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE ARROZ VS&F:
Acima, o Farmacêutico Pedro de Assis Amaral, sua esposa Felisbina Gouvêa do Amaral com seus netos em frente ao prédio da Indústria de Beneficiamento de Arroz MS&C. 



Acima, a Rua Capitão Pedro Assis Amaral, vendo-se o prédio da Indústria de Beneficiamento de Arroz VS&F, destacado na foto abaixo.



Com grande capacidade criativa e atentos às alternativas comerciais que iam se apresentando, abriram uma das primeiras Indústrias de Beneficiamento de Arroz VS&F (em uma das fotos do prédio que tenho está escrito MS&C) da região, se instalando mais uma vez bem próximo à Estação Ferroviária. A grande máquina de beneficiamento ficava instalada em prédio localizado na antiga Rua Santa Clara, hoje Rua Cap. Pedro Assis Amaral. Um dos destaques da empresa era a embalagem em sacos de algodão para o arroz produzido.






Acima e abaixo, “ontem & hoje” da Rua Capitão Pedro Assis Amaral, vendo-se o prédio da Indústria de Beneficiamento de Arroz VS&F na foto mais antiga.


FÁBRICA DE SABÃO SANTO ANTÔNIO VS&F:

Acima e abaixo, “ontem & hoje”, vendo-se o prédio da Fábrica de Sabão Santo Antônio VS&F na foto mais antiga.




Acima, antigo trabalho/pesquisa de uma aluna da Escola Municipal Cel. Joaquim José de Souza destacando os empreendimentos Viúva Salomão & Filhos.


A Fábrica de Sabão Santo Antônio VS&F, inaugurada em 1935, produzia grande diversidade de sabão e ficava localizada na Rua Garcia Passos. Nos dias de hoje, bem em frente ao local, está localizada uma praça que recebeu o nome Praça Jorge Salomão David.

A Praça Jorge Salomão David, construída em frente ao local onde ficava a Fábrica de Sabão Santo Antônio VS&F. 







REFINARIA DE AÇÚCAR:




Sempre atentos às atividades comerciais que iam surgindo no Brasil, abriram também a grande Refinaria de Açúcar, inaugurada em 1938. Ficava localizada onde hoje está situada a agência do Banco SICREDI, no início da Rua Barão de Catas Altas. Ou seja: demonstrando mais uma vez a grande visão comercial, a refinaria ficava localizada estrategicamente ao lado da linha férrea, pois sua produção era tão grande que os trens da E. F. Leopoldina estacionavam seus vagões de carga bem ao lado do prédio para que fossem carregadas grandes quantidades de sacas de açúcar, que seguiam rumo ao porto do Rio de Janeiro para exportação. No início de suas atividades e por um longo tempo, era a única refinaria de açúcar na região, destacando-se como grande exportadora de açúcar refinado.

O antigo prédio da refinaria tornou-se posteriormente um espaço de grandes eventos - o antigo Barra Limpa; posteriormente ocupado pelo Frango Bar, mais conhecido como Bar do Aleluia; onde hoje funciona uma agência bancária do SICREDI.





POSTOS DE COMBUSTÍVEIS:

Acima, o antigo Posto de Combustíveis Mariante, primeiro posto de combustíveis da cidade de Guarará. Abaixo, o mesmo local nos dias de hoje.




Acima, a inauguração do Posto de Combustíveis São José em Bicas, também empreendimento Viúva Salomão & Filhos. Abaixo, o mesmo local nos dias de hoje.



Comprovando mais uma vez a visão comercial da família, sem se prenderem a um ou dois ramos de atividade, inovaram mais uma vez ao criar dois Postos de Combustíveis: um em Bicas, nominado Posto São José. Isso mesmo, o Posto São José que fica localizado no centro da cidade de Bicas até os dias de hoje! Seu criador e primeiro proprietário foi a Família Salomão David; o outro em Guarará, nominado Posto Mariante em homenagem à matriarca, que ficava localizado bem próximo ao centro da cidade, que hoje não existe mais.



* Ou seja, a Família Salomão foi, sem dúvida, uma das maiores e mais destacadas famílias de empreendedores de nossa cidade gerando emprego e renda para muitas outras famílias biquenses de sua época, tendo dado grande contribuição para o desenvolvimento de nossa hoje centenária cidade de Bicas.

Ao assumir os empreendimentos da família, o filho mais velho Eduardo Salomão David não só deu continuidade como desenvolveu investimentos em novas frentes comerciais tornando-se personalidade de destaque na cidade. Morou em um belo e destacado prédio, localizado próximo à Estação Ferroviária e aos principais empreendimentos familiares, mesmo prédio onde posteriormente funcionou a primeira agência do Banco do Brasil. 

Como forma de reconhecimento à grande contribuição que deu para o desenvolvimento de nossa cidade, a rua que passa em frente ao Hospital São José, no Bairro Retto Jr, recebeu seu nome: Rua Eduardo Salomão David, proposição do então Vereador José Cúgola. Presente na cerimônia de colocação da placa, o professor da Faculdade de Direito da UFJF Marcelo David – bisneto de Marianthe Popadopoulos – discursou e agradeceu à singela homenagem.


* D’ANESTIS DAVID:

Os pais de D'Anestis David - Jorge David e Julieta Bechara.


D'Anestis David em Ibitipoca, paraíso mineiro onde toma doses de brasilidade, nuances que povoam suas telas com figuras de artistas e de monumentos da arte grega.



Um dos sete filhos de Salomão David e Marianthe que também deu continuidade às grandes contribuições para o desenvolvimento de Bicas foi Jorge David. 

Jorge David casou-se com Julieta Bechara e tiveram os filhos Olga, Jorge, Graça, Maritcha e D’Anestis.

Assim chegamos a um dos herdeiros desta verdadeira e histórica “saga”, o biquense e grande artista D’Anestis David, filho do casal Julieta e Jorge David, neto do grande patriarca da Família, o Libanês Salomão David.

D’Anestis, pintor mineiro radicado na Europa há mais de 20 anos graças à sua ascendência grega, tem trabalhos com grande sucesso de público e crítica em destacados e importantes eventos culturais, no Brasil e em diversos países.

O prefácio de um de tantos livros de promoção das grandes exposições de suas obras de arte assim o descreve....

“Diz-se que a obra de arte é, antes de tudo, libertação e rito de passagem, nos quais o artista empenha sua experiência pessoal, para nela renascer. Saído de Bicas-MG, onde nasceu de pais gregos, veio para o Rio ainda jovem para estudar artes plásticas e ainda jovem o gênio curioso jogou-o pelas estradas do mundo, aventureiro com cavalete e pincéis na mochila.

Morou no Tibet e, fincando na paz religiosa daquelas montanhas, trabalhou sem cessar até que sua personalidade inquieta o tirasse de lá para os anos vividos sob o sol e no azul agitado das ilhas gregas, o inseparável pincel e a indomada revolta convivendo com a mitologia.

D’Anestis produziu quadros que foram expostos com grande sucesso no Museu Nacional de Belas Artes em outubro/novembro de 1998, na Exposição intitulada “Memórias do Absurdo” obras que a todos brindou com nuances entre a paz suiça de Montreux e a energia telúrica de Ibitipoca, paraíso mineiro onde toma doses de ... brasilidade, nuances que povoam suas telas com figuras de artistas e de monumentos da arte grega.”



A imigração da família David, por D’Anestis David.

“Salomão David, chega a Bicas em dezembro 1919, veio na imigração. A partida da pátria mãe deveu-se a ocupação Otomana, seja no Líbano como na Grécia.

Grande empreendedor já em Haddad, Beirute; decidiu mudar-se e construir a vida no nosso promissor Brasil.

Nossa Bicas tinha o privilégio de desfrutar das Linhas da Leopoldina que a aproximava do Rio de Janeiro e outras importantes localidades em Minas.

Leopoldina Railway Company Limited, de capitais Ingleses era a maior empregadora da região, que mantinha em Bicas uma oficina de reparos de locomotivas e vagões, estabelecimento considerado de grande porte. Em 1925, a Leopoldina servia a região com o mesmo tipo de comboios de quando inaugurada a ferrovia, quarenta anos antes. Os misters da direção viviam no Rio de Janeiro e Petrópolis. Quando apareciam em Bicas, toda a população os cobria de atenções, pois os tinha como bons empregadores.

Em 1922 com a queda de Esmirna para mãos Otomanas, exatamente em setembro, toda a parte Grega de nossa família sofreu com o holocausto de Esmirna. Esta cidade era a joia da Ásia Menor, era o progresso total do comércio e exportações. Conforme carta traduzida escrita em Nova York, por nosso tio Epaminondas, dirigida à minha bisavó e minha tia Despna Papadopoulos.

Em 1927, já com sete filhos homens, nosso patriarca faleceu com uma úlcera supurada, causando grande dor à sua esposa Marianthe Papadopoulos e seus filhos.

Eduardo Salomão David, com apenas 19 anos assume a empresa do pai e a transforma com muito êxito em várias outras, seja o Açúcar Leão; Sabão Atlas e Serrano; bem como na produção de Arroz fino Amarelão. Consegue administrar a educação dos irmãos no PIO Americano no Rio de Janeiro. Assumiu muito bem o lugar de seu pai dando um verdadeiro apoio a sua família.

Nos idos de 1953 e 54, no Governo Café Filho, a empresa com grande volume de exportações de Açúcar para a Inglaterra e China, teve um grande golpe. Toda nossa produção e a de outrem que compramos para exportar em um só bloco, ficou estagnada por motivos administrativos pífios ocasionando o estacionamento dos Navios da Loyds inglesa sem carregamento do açúcar que por três meses ficou estocado no Porto do Rio de Janeiro.

Enfim, ocorreu por nossa conta o estacionamento dos NAVIOS, por três meses, ocasionando o derretimento da carga virando o porto do Rio de Janeiro um melaço total. Na ocasião o Instituto do Açucar e Álcool, o IAA, transformou toda a carga em Álcool. Nunca formos ressarcidos pelo prejuízo nem mesmo pelo Instituto do Açúcar e do Álcool. Movemos um processo caríssimo contra os mesmos e ganhamos nas duas primeiras instancias. Na terceira instancia por motivos obviamente políticos fomos derrotados.

Nosso prejuízo foi colossal, uma vez assumimos toda a exportação e não deixamos nenhum credor nosso sem receber. Nosso açúcar compreendia em apenas um quarto deste empreendimento.

Nunca abrimos falência, nem mesmo concordata para liquidarmos nossos prejuízos. Ficamos absurdamente sem o capital de giro para continuarmos a produção. Tudo foi afetado, inclusive a Fábrica de Sabão que cabia ao meu pai Jorge Salomão David administrar, pois era grande conhecedor da química de produzi-lo.

Bicas perdeu muito com a inatividade de nossas industrias, é o que escutei a vida toda de lembranças de nossos conterrâneos.

Referências bibliográficas: Emil Farhat em Histórias Ouvidas e Vividas.

Em 22 de novembro de 1943 o Libano foi criado como estado livre. Os emigrantes então sírios passaram a ser libaneses devido a localidade de seus nascimentos.

Todos os Gregos e Sírios Libaneses que migraram para o nosso Brasil vieram, portanto, devido a ocupação Otomana que foi desastrosa.”


Abaixo, a carta traduzida escrita em Nova York, por nosso tio Epaminondas, dirigida à minha bisavó e minha tia Despna Papadopoulos. Com a queda de Esmirna para mãos Otomanas, exatamente em setembro de 1922, toda a parte Grega de nossa família sofreu com o holocausto de Esmirna, cidade que era a joia da Ásia Menor, era o progresso total do comércio e exportações. 







Acima e abaixo, o cemitério de Bicas abriga os jazigos onde podemos ver a lápide de Salomão David e de demais membros da Família, registros de Fernando Amaral Ventura Júnior.